O mural dedicado a Catarina Eufémia Ana Rodrigues
Vereador do PS de Beja critica mural alusivo a Catarina Eufémia porque diz que os tempos mudaram
* Carlos Dias
Autarca alega que o país vive um tempo diferente daquele em que a ceifeira de Baleizão foi assassinada. “Já não há tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes.”
Paulo Arsénio foi categórico na reunião do executivo municipal de 23 de Setembro: “Se fôssemos nós (socialistas) a decidir, não autorizaríamos o mural a Catarina Eufémia, digo-o de uma forma muito clara, muito directa e muito objectiva.”
E para justificar o seu posicionamento disse que o país “vive, felizmente, um tempo muito diferente do que se vivia em 1954”, quando Catarina Eufémia foi assassinada em Baleizão no decorrer de uma manifestação por melhores salários para quem trabalhava na ceifa das searas de trigo.
Como tal, mesmo que o propósito expresso na pintura do mural seja o enaltecimento “da luta das mulheres alentejanas pela emancipação, igualdade de oportunidades, salariais e outras, não nos parece que tenha sido de facto o mais adequado nesta altura e em Beja”, sentencia o autarca socialista, convicto de que “já não há tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes”.
Em síntese, considera que o mural com a imagem de Catarina “não é o gesto mais adequado para reflectir toda essa luta das mulheres alentejanas e das mulheres do país em 2026”, contrasta Paulo Arsénio, com um reparo: por detrás da pintura “há uma opção ideológica demasiado forte e desadequada aos nossos tempos”, interpretando a iniciativa como um precedente que pode vir a incentivar num futuro próximo a pintura na fachada da biblioteca de Beja de um “mural dedicado a Karl Marx” ou no edifício da câmara municipal “o desenho de Lenine”.