Para o autarca apoiado por partidos da direita, “não há tabus nem coisas proibidas e bater-me-ei sempre em todos os momentos para que cada um se possa expressar da forma que entenda e em todas as circunstâncias”
Assim sendo, a pintura de um mural alusivo a Catarina Eufémia é um exemplo “claro e explícito” do respeito institucional que todos devemos ter” pela liberdade de expressão, acrescenta o autarca.
Por sua vez, o vereador Vítor Picado (CDU), que mantém um acordo de gestão com a coligação Beja Consegue, criticou Paulo Arsénio pelo modo como interpretou o apoio que a autarquia prestou à artista que pintou o mural, vincando o que considera um princípio da actual gestão da autarquia: “Quero dizer claramente, senhor vereador, que a arte não se censura”, confrontando o vereador socialista com uma posição que classifica de contraditória: “Não podemos andar a bater com mão no peito sobre os direitos das mulheres e na volta vir com uma intervenção em que critica a motivação” que fundamenta a pintura mural
Ana Rodrigues, que pintou o mural, esclareceu ao PÚBLICO que a escolha de Catarina Eufémia não pode ser associada a qualquer partido político. “Considero essa interpretação ofensiva, vergonhosa e redutora, sobretudo porque desvia a atenção daquilo que pretendo valorizar com este trabalho: a memória de uma mulher, a sua luta e o seu lugar na história”, no âmbito do projecto Mulheres na Resistência – Arte Urbana, Memória e Território.
A autora disse que concebeu a pintura a partir da fotografia que projectou a ceifeira alentejana de múltiplas formas e motivações, ao longo de décadas, sobretudo no imaginário da esquerda militante, nos poemas e canções de poetas e cantores, desde o trágico acontecimento ocorrido no
“Escolhi Catarina Eufémia por ter sido uma mulher do povo que morreu na luta pelos direitos das trabalhadoras”, adiantou, frisando que, nos tempos que correm, “é particularmente importante preservar esta memória, pois nós, mulheres, somos geralmente das primeiras a perder os direitos que conquistámos”
A escolha do local também foi previamente definida por Ana Rodrigues: “É um espaço privado e não um edifício público” para não alimentar a celeuma
No mês de Julho e durante seis dias, Ana Rodrigues, dependurada num andaime, foi delineando a figura estilizada de Catarina Eufémia, sem qualquer sinal de desassossego nos transeuntes que passavam e
Quanto à profusão de reacções que obteve nas redes sociais e após o comentário de Paulo o, considera que “foram de apoio e de valorização do meu trabalho”, enfatiza Ana Rodrigues.
in Público 8 de Outubro de 2026
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