A escultura de João Limpin intitulada Plano-Sequência representa um autocarro articulado em tamanho real, integrado na paisagem urbana na Avenida Belo Horizonte, na zona do Forte da Bela Vista / Bairro Azul, em Setúbal.
A obra conjuga a linguagem da escultura contemporânea, da arte urbana e do cinema com a forte tradição cultural e literária sadina:
1. A Conceção "Cinematográfica" e Escultórica
O conceito do título: O termo Plano-Sequência vem do cinema e designa uma cena contínua gravada sem cortes. O autocarro articulado, com os seus vários módulos alinhados e as janelas desenhadas em sucessão, materializa no espaço urbano essa mesma ideia de uma sequência contínua de imagens e narrativas visuais.
Objeto do quotidiano transformado em arte: Alude ao transporte público como elemento estruturante da vida de um bairro social periférico e da circulação urbana das populações quotidianas.
2. A Iconografia e a Homenagem Literária (Bocage)
As janelas e a lateral da carroçaria funcionam como autênticas "telas" fotográficas ou quadros pintados que integram:
Homenagem a Bocage: Como se lê nas inscrições e nos painéis, uma das janelas/painéis laterais exibe o retrato e a figura de Manuel Maria Barbosa du Bocage, ligando a identidade da cidade de Setúbal e do poeta a esta intervenção no espaço público.
Inscrição institucional/cultural: Destaca-se a frase inscrita no lado da carroçaria: "Setúbal, uma cidade de culturas", afirmando a vocação da cidade para a diversidade cultural e para a descentralização da arte para bairros como o da Bela Vista.
Painéis comunitários e graffiti: Os restantes retângulos e vidros exibem ilustrações de multidões, rostos, cenas sociais e elementos do graffiti urbano, simbolizando a vivência coletiva e a diversidade multicultural do bairro.
Contexto na Paisagem Urbana
Esta obra insere-se no projeto do "Museu está na Rua" / intervenções de Arte Pública da Câmara Municipal de Setúbal, que visou requalificar o espaço público da zona da Bela Vista. Colocado num relvado junto aos blocos habitacionais, o "autocarro" funciona simultaneamente como estátua/monumento, barreira estética e galeria a céu aberto que cruza a memória clássica (Bocage) com a linguagem visual moderna dos bairros periféricos. (Gemini)
Sem comentários:
Enviar um comentário