* Hugo Dionísio,
in Denorteasul.eu., 08/10/2026
Um espectro ronda o mundo – o espectro da “Inteligência Artificial”
Um espectro tomou o mundo civilizado. Pretensamente civilizado, digo eu! Pouco a pouco, esse espectro foi-se instalando nos telemóveis, computadores e tablets, não necessariamente por essa ordem. De forma gradual fomos absorvidos como parte de um mundo onde tudo é medido, parametrizado, vigiado, programado, reprogramado, num ciclo interminável de aperfeiçoamento que visa tornar-te cada vez mais parte de um todo que te é mentalmente inalcançável ou escrutinável. A desigualdade de circunstâncias constitui a pedra angular que sustenta o sistema que o promove. Esse espectro é o que convencionámos designar de «Inteligência Artificial».
Sob uma capa de personalização, segurança e protecção da privacidade, o espectro aprimora continuamente os seus instrumentos, fornecendo-nos precisamente o contrário: despersonalização, precariedade e supervigilância. Ninguém o elegeu, negociou a sua velocidade e extensão de implantação. Chegou aclamado por quem o declarou como disruptor e aterrador. Contudo, não obstante o carácter destrutivo com que o apresentam, também o assumem como inevitável.
